Gamehall PS Network entrevista com Rodrigo Banzato

Rodrigo Banzato trabalha com modelagem 3D e abre a seção de entrevistas, com uma conversa muito legal sobre a situação do mercado nacional, palpites sobre a atualidade e dicas para quem quer seguir na área. (postado por Rodrigo Russano Dias do Gamehall UOL, seção PS Network).

Rodrigo atualmente desenvolve projetos voltados para produção e design de games para uma empresa nos Estados Unidos, além de ministrar cursos sobre o tema. Talentoso e esforçado, ele inaugura a seção de entrevistas do PS Network com uma conversa muito legal sobre a situação do mercado nacional, palpites sobre a atualidade e dicas para quem quer seguir na área.

Rodrigo Russano Dias – Olá Banzato, é um enorme prazer estar falando com você. Antes de mais nada, dê uma palhinha para o pessoal sobre a sua atuação no mercado.

Rodrigo Banzato – Olá Rodrigo. É um prazer poder ser entrevistado e passar um pouquinho do meu conhecimento e experiência para todos aqueles que desejam trabalhar na área 3D.

Comecei meus estudos de 3D em 2002. De lá, até agora, consegui fazer alguns trabalhos como freelancer para pequenas empresas, e também tive a oportunidade de trabalhar em empresas multinacionais. O estudo é constante, e hoje estou em parceria com a Helm Systems dos Estados Unidos, onde sou diretor de arte e desenvolvo personagens para games. Também tive a oportunidade de lecionar 3D em algumas escolas e hoje tenho parceria com a Tonka3D, onde desenvolvi meus próprios cursos, inclusive disponibilizando-os no formato em DVDs que são comercializados exclusivamente pela Loja da Tonka3d.

Rodrigo – Poderia falar um pouco sobre a Tonka 3D ? Os alunos precisam ter alguma experiência para começar a fazer os cursos?

Banzato – Sim, a Tonka3D possuí treinamentos especializados em modelagem e animação 3d, do básico ao avançado, principalmente em se tratando de personagens. O mercado de atuação com personagens é bem amplo, porém antes de uma especialização em personagens, é necessário o conhecimento básico do software 3d Max, além do Photoshop entre outros. Eu sempre levanto também a importância do conhecimento artístico em primeiro lugar, pois a ferramenta é sempre somente a técnica.

Rodrigo – Qual é a sua visão quanto ao mercado nacional ? Há muitas vagas de emprego na área, ou os profissionais precisam recorrer ao exterior?

Banzato – O profissional que trabalha com 3D vai encontrar boas oportunidades no país. Existem grandes produtoras, principalmente de publicidade, que necessitam de um time especializado em 3D. O mercado de maquete eletrônica também é bem acessível, porém é necessária uma especialização dependendo do tipo de trabalho. Algumas empresas, dependendo do ramo de atividade, costumam treinar algum de seus funcionários para estarem aptos a trabalharem com 3D, já que a aplicação é bem ampla, podendo por exemplo ser um logo rotacionando na web, um objeto para um cartaz, enfim.

Quanto a games, o mercado tem tido seus altos e baixos, mas realmente a grande oportunidade está fora do país. Inúmeros artistas trabalham no exterior, pois conseguem se destacar no mercado internacional com seus trabalhos em 3D, sejam eles pessoais ou profissionais. O importante é trabalhar e estudar sempre.

Rodrigo – Você acredita em um grande crescimento futuro na área de modelagem 3D voltada para games no Brasil ? Qual a sua opinião sobre o apoio do governo ?

Banzato – Sim, isso já esta acontecendo no Brasil, mas não como acontece lá fora em grandes produções, que duram de 1 até 3 anos para serem concluídas. O grande diferencial lá fora é o investimento, onde grandes títulos detém uma média de 5 a 15 milhões de dólares de custo. É preciso levar em conta o faturamento. Jogos como Gears of War, por exemplo, chegaram a vender rapidamente 4 milhões de cópias.

Rodrigo – Mudando de assunto, você tirou o segundo lugar do concurso de criação de personagens usando a Unreal Engine. Como foi o processo de desenvolvimento do mesmo ? Acha que a excelente colocação pode abrir portas para você ?

Banzato – Com certeza, todos os destaques que você tem, seja com um trabalho pessoal ou com um trabalho de algum contest (campeonato), é de grande importância. Isso te dá mais credibilidade e abre portas para o mercado nacional e internacional, pois até para conseguir um visto dentro de um país, qualquer destaque e diferencial que você possa apresentar é de grande ajuda. O processo de desenvolvimento começa à partir de uma idéia, e logo após elaboramos um concept (desenho) do nosso personagem.

Com isso, trabalhamos em conjunto com um software 3D para produzir os modelos refinados, e logo em seguida é necessário fazer um modelo próprio para game, esse modelo é um modelo otimizado. Assim, extraímos a informação do modelo refinado para o modelo otimizado e consequentemente fazemos a textura e finalização num software 2d. O grande diferencial de fazer um personagem para esse contest é a personalização da roupa, ou seja, temos que fazer várias peças, no total tive 44 peças personalizadas. Sem contar que temos que verificar o personagem dentro do jogo. É necessário criar pequenos scripts para criar facções e identificar as peças dentro do jogo.

Rodrigo – Ainda sobre a Unreal Engine, a maioria dos jogos desenvolvidos para PS3 utilizando a Unreal Engine 3 foram problemáticos. Muitos acham que a tecnologia “não se dá bem” com o console. Dentro do seu conhecimento, isso é verdade ? Quais poderiam ser as complicações ?

Banzato – Quanto a isso eu não sei, talvez seja a maneira como eles transformaram a produção do PC para PS3, tudo exige e requer uma otimização exata. Vários títulos são feitos com a engine Unreal, portanto seria necessário um estudo mais apurado para qualquer declaração. Cada vez mais a Engine Unreal tem sido usada apenas para consoles. Veja o caso de Gears of War 2 que foi feito exclusivamente para XBOX360. Entre muitos títulos estão:

* Unreal Tournament 3 (Epic – PC, Xbox 360, PS3)
* Blade and Soul (NCSoft – PC)
* Lost Odyssey (Mistwalker – Xbox 360)
* Bioshock (2k Games – PC, Xbox 360, PS3)
* Mass Effect (Bioware – PC, Xbox 360)

Rodrigo – Quais consoles ou portáteis você tem no momento ? Ou só joga no PC ?

Banzato – No momento ainda não tive oportunidade de voltar aos velhos tempos e jogar novamente em console. Tive quase todos os consoles até a chegada do PS2, mas depois eu fiquei só nos jogos de PC mesmo. Eu gosto de uma variedade de games, na realidade o que mais me chama a atenção é o roteiro e como o jogo se desenvolve. Eu parei ja faz algum tempo de jogar, inclusive no PC por causa do trabalho e das obrigações, mas espero poder em breve voltar a jogar. Digamos que eu escolho meus períodos de “férias” após um grande trabalho e aproveito para jogar (risos).

Rodrigo – Quais são os jogos atuais que mais lhe impressionaram? E quais lançamentos você tem em vista ?

Banzato – Com certeza Left 4 Dead não pode passar em branco, é um jogo que na minha opinião revolucionou com seu método de multidão em situações imprevisíveis e uma ótima interação com jogadores online, exigindo colaboração de todas as pessoas. Com certeza o lançamento de L4d2 esse ano não vai passar em branco, assim como muitos outros títulos.

Eu particularmente gosto bastante de jogos em primeira pessoa, mas também gosto de estratégia, corrida e luta. Gosto muito de jogar também para estudar os gráficos e roteiros, tentando observar o que poderia ser diferente. Como ando sem tempo para jogar, não posso citar os jogos que estou jogando, mas com certeza ainda quero jogar Street Fighter 4, Resident Evil 5, Fallout3, Far Cry 2 entre muitos que estão sendo lançados como Prototype e Call of Duty Modern Warfare 2, por exemplo.

Rodrigo – Hoje em dia, a busca por gráficos melhores é cada vez mais evidente. Muitos projetos acabam tendo gráficos lindos, mas que encobrem um gameplay fraco e sem inovações. Gráficos são tão importantes assim, na sua concepção?

Banzato – Bioshock e Crysis, por exemplo, são jogos bem distintos. O primeiro leva para o lado extremamente artístico e abstrato, com uma história muito envolvente e situações que criam um visual muito legal. O segundo parte para o realismo da forma que tem que ser, o mais fiel possível, com imagens que as vezes são mais bonitas que uma foto.

Com a qualidade dos gráficos dos jogos atuais, podemos afirmar que o grande diferencial dos jogos a partir de agora vai estar na direção de arte e história. Hoje em dia já podemos observar modelos bem suaves, sem aquelas pontas saindo do 3D quando vimos os primeiros títulos na década de 90 e as texturas que podemos usar hoje em dia são de alta qualidade, superando e muito oque existia anteriormente. Eu diria que uma nova experiência em games e tecnologia seria o uso de óculos 3D, que já estão disponíveis pela NVidia e são extremamente compatíveis com os jogos atuais. É preciso lembrar que, para usar um óculos desses, é necessário um monitor de 120 Hz, ou seja, esse é um futuro promissor. Não posso dizer ao certo se definitivo.

Rodrigo – Muito obrigado pelo bate-papo, xará. Desejo sorte a você, pois conheço sua competência desde que trabalhamos juntos na Gameloft. Gostaria de deixar algum recado aos aspirantes que queiram seguir a sua vocação ?

Banzato – Obrigado você. Saibam que tudo na vida é um investimento. As quedas só servem para nos fortalecer, o importante não é oque você faz e sim o que você é. Sigam seus objetivos com muita serenidade e motivação. Boa sorte a todos e, mais uma vez, obrigado pela oportunidade. E quem quiser conhecer mais sobre meus trabalhos de arte digital e sobre meus projetos e artes para games e produões 3d, acesse o meu portfólio online.

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